Engenharia de Alimentos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Engenharia de Alimentos ou Engenharia Alimentar é o ramo da engenharia que engloba todos os elementos relacionados com a industrialização de alimentos[1], seja no desenvolvimento, fabricação, conservação, armazenamento, transporte e comercialização.[2] [3] A engenharia de alimentos inclui, mas não se limita, a aplicação de conceitos e métodos da engenharia química e engenharia agrícola.[4] [3]

Este ramo da engenharia está baseado nas aplicações de recursos tecnológicos na formação de profissionais que atuam nas principais etapas da cadeia de produção dos alimentos industrializados, assim trabalham desde a chegada das matéria-primas até um produto final embalado e rotulado.[2] [4] Para que todo esse processo ocorra, é necessário uma vasta gama de conhecimentos em física, química, matemática e biologia[5] , além de conceitos de economia e administração. Esse enfoque no processo produtivo em si diferencia esta área do conhecimento da nutrição, com o qual pode ser por vezes confundido. Não obstante, o engenheiro dos alimentos deve obrigatoriamente ter sólidos conceitos de nutrição, pois, de modo contrário, não seria possível a produção de alimentos com características nutricionais desejadas.

Formação Acadêmica

A Engenharia de Alimentos é uma profissão de caráter multidisciplinar,[1] pois abrange uma grande quantidade de diferentes campos de conhecimento na área de ciências básicas e tecnológicas, além de alguns conhecimentos da área de saúde e humanas. Esse caráter multidisciplinar é conseqüência do tipo de informações necessárias para o domínio da industrialização, conservação e comercialização de alimentos.[1] [6] [7]

Em geral, os dois primeiros anos são de formação básica com aulas de matemática, química, bioquímica, físico-química e termodinâmica. Depois, o currículo enfatiza as disciplinas mais técnicas ligadas à produção e à conservação dos vários tipos de alimento. Os conteúdos das áreas de economia e administração dão fundamento para o futuro profissional atuar em gerenciamento industrial. O estágio é obrigatório no último ano.[2] [6]

A grade curricular abrange as 5 grandes áreas abaixo, com suas respectivas sub-áreas:

Ciências Básicas

  • Matemática
  • Estatística
  • Física
  • Físico-química
  • Química
  • Química orgânica
  • Bioquímica
  • Biologia
  • Genética

Ciências Tecnológicas

  • Programação
  • Processos de separação
  • Reologia
  • Termodinâmica
  • Operações unitárias
  • Refrigeração
  • Fenômenos de transporte
  • Mecânica dos Fluidos
  • Transferência de Calor
  • Transferência de Massa
  • Enzimologia
  • Microbiologia
  • Biotecnologia
  • Biomateriais
  • Psicrometria

Saúde

  • Nutrição

Ciências Humanas

  • Controle de qualidade
  • Administração
  • Economia
  • Marketing

Disciplinas Específicas

  • Tecnologia de alimentos
  • Segurança alimentar
  • Microbiologia de alimentos
  • Bromatologia
  • Química de alimentos
  • Microbiologia de alimentos
  • Análise sensorial
  • Embalagem e armazenamento
  • Matérias primas agropecuárias

O conhecimento das interações entre processo e alimento visam o controle das condições que proporcionam os padrões de qualidade desejados, a evolução de técnicas tradicionais e a viabilização de produtos inéditos no mercado. Além disso, o engenheiro de alimentos pode fazer os cálculos dos processos industriais, por exemplo, a aceleração de uma esteira para o preenchimento de garrafas de cerveja numa fábrica, usando cálculo diferencial, a concetração de determinada entidade química que atua num alimento durante seu processamento, ou mesmo o balanço de massa, de energia e de material empregado na fabricação de alimentos.

Reconhecimento e Regulamentação pela Legislação Brasileira

O Curso de Engenharia de Alimentos foi reconhecido pelo Governo Brasileiro através do Decreto N° 68644 de 21/05/1971 e seu currículo mínimo foi estabelecido na nova concepção de ensino de Engenharia no Brasil nas resoluções do Conselho Federal de Educação 48/76 e 52/76 e Portaria 1695/94 do Ministério da Educação e dos Desportos.[1]

Regulamentação da Profissão

A profissão de Engenheiro de Alimentos foi regulamentada através da lei n° 5.194 de dezembro de 1966 e da Resolução 218 de 29/06/1973 do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA). A lei dispõe sobre as atividades profissionais, caracterizando o exercício profissional como de interesse social e humano. Para tanto, especifica que atividades do engenheiro deverão importar na realização de empreendimentos tais como: aproveitamento e utilização de recursos naturais do país e o desenvolvimento industrial e agropecuário do Brasil.[1]

A lei, que é referente aos engenheiros de todas as modalidades, dispõe sobre o uso de títulos profissionais, sobre o exercício legal da profissão, sobre as atribuições profissionais e sua coordenação. Assim sendo, as atividades do Engenheiro de Alimentos estão assim designadas:

  1. Supervisão, coordenação e orientação técnica.
  2. Estudo, planejamento, projeto e especificações.
  3. Estudo de viabilidade técnico-econômica.
  4. Assistência, assessoria e consultoria.
  5. Direção de obra e serviço.
  6. Vistoria, perícia, avaliação arbitramento, laudo e parecer técnico.
  7. Desempenho de cargo e função técnica.
  8. Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica, extensão.
  9. Elaboração de orçamento.
  10. Padronização, mensuração e controle de qualidade.
  11. Execução de obra e serviço técnico.
  12. Fiscalização de obra e serviço técnico.
  13. Produção técnica e especificação.
  14. Condução e trabalho técnico.
  15. Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo e manutenção.
  16. Execução de instalação, montagem e reparo.
  17. Operação e montagem de equipamento e instalação.
  18. Execução de desenho técnico.

O desempenho dessas atividades refere-se à indústria de alimentos, acondicionamento, preservação, transporte e abastecimento de produtos alimentares, seus serviços afins e correlatos.[1]

Atuação do Engenheiro de Alimentos

Áreas de atuação

O engenheiro de alimentos possui competências para atuar dentro dos seguintes segmentos[1] [3] [6] [7] :

  • Indústria de produtos alimentícios
  • Indústria de insumos, equipamentos e embalagens para a indústria alimentícia
  • Empresas de Serviços
  • Órgãos e instituições públicas
  • Fiscalização e auditorias
  • Consultoria
  • Instituições de ensino
  • Instituições de pesquisa

Tipos de atividade exercidas

Em função de sua formação e áreas de atuação, são exercidas atividades nas seguintes áreas:

Produção/Processos

Planejar, implementar, racionalizar e melhorar o processos e fluxos produtivos para incremento da qualidade e produtividade, e para redução dos custos industriais, incluindo a parte de automação.[2] [6] [7]

Garantia da Qualidade

Determinar padrões de qualidade e procedimentos operacionais para os processos desde a matéria-prima até o transporte do produto final. Planejar e implementar estruturas para análise e monitoramento destes processos, treinar pessoal para prática da qualidade como rotina operacional. Organizar métodos e sistemas de controle de qualidade das matérias-primas e do produto processado nas indústrias alimentícias.[2] [6] [7]

Pesquisa e Desenvolvimento

Desenvolvimento de produtos e tecnologias com objetivo de atingir novos mercados, reduzir desperdícios, reutilizar subprodutos e aproveitar os recursos naturais disponíveis. Criar e aperfeiçoar produtos de acordo com as necessidades do mercado. Pesquisar e elaborar tecnologias de produção.[2] [6] [7]

Projetos

Planejar, executar, implantar e fazer avaliação de viabilidade econômica de projetos para unidades de processamento (“plant lay-out”, instalações industriais, equipamentos, distribuição, etc.), bem como avaliar a viabilidade econômica de novas indústrias, estudando as oportunidades de mercado, os custos, as instalações e os equipamentos.[2] [6] [7]

Tratamento de resíduos

Definir métodos de descarte, reciclagem e possível reaproveitamento de resíduos da indústria alimentícia, protegendo o meio ambiente.[2] [6]

Comercial / Marketing

Utilizar do conhecimento técnico como diferencial de marketing na prospecção e abertura de mercados, na assistência técnica, no desenvolvimento de produtos junto aos clientes e apoio à área de vendas. Comercializar matérias-primas, aditivos e equipamentos para indústrias alimentícias e também produtos de toda a cadeia produtiva de alimentos para o consumo.[2] [6]

Fiscalização de Alimentos e Bebidas

Atuar junto aos órgãos governamentais de âmbito municipal, estadual e federal, objetivando o estabelecimento de padrões de qualidade e identidade de produtos, e na aplicação destes padrões pelas indústrias, garantindo assim, os direitos do consumidor.[6]

Consultoria

Auxiliar na implantação e administração de unidades industriais, quanto aos aspectos relevantes como instalações, aspectos legais, tecnologia de processamento, garantia da qualidade entre outros.[6]

Docência

Atuar na formação de profissionais na área de engenharia, ciência e tecnologia de alimentos bem como em áreas correlatas. De modo geral, para ensino em cursos de graduação, é exigido mestrado e/ou doutorado.


Referências

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s